domingo, 7 de junho de 2009

Violência na escola!

Como professora, trabalhei na rede pública de ensino e que atende comunidades menos favorecidas financeiramente, e, atualmente trabalho numa escola da rede privada, mas acredito em parte nas duas crenças citadas por Jaqueline Picetti, a respeito da crescente onda de violência que há muitos anos vem se instaurando nas escolas.

Penso que alguns alunos tomam determinadas atitudes não porque vivem na “vila” e quem vive nesse tipo de comunidade geralmente é violento, mas por vivenciarem determinadas cenas de violência. Há uma grande discriminação, pois nos grandes centros urbanos também estão presentes atos de covardia e cenas violência. Não acredito que seja uma concepção empirista, “acreditando que há uma pressão das coisas sobre o espírito e considerando a experiência como algo que se impõe por si mesmo, não havendo necessidade da atividade do sujeito (Piaget, 1987).”
Também não é o ambiente que imprime na pessoa o modo de ser e de se comportar, mas as próprias situações violentas a que as crianças estão expostas no meio em que estiverem inseridas, que deixam cicatrizes profundas, podendo gerar ainda mais violência.

Violência na escola!

A escola em que atuo da mesma forma que muitas escolas, também construímos projetos que trabalham e desenvolvem valores morais, com o objetivo de amenizar e/ou sanar as atitudes violentas entre os alunos. Levando em consideração os questionamentos da professora Jaqueline Picetti, perante as situações de violência observadas por nós professores na escola, com certeza não tem o mesmo significado para os alunos, pois muitas vezes a problemática da violência, faz parte de suas vivências, para eles são normais, não dá nada!

Tenho consciência de que o tema da violência na escola pode ser analisado sob diferentes enfoques, pois esse fenômeno envolve uma multicausalidade e uma circularidade de processos (Osório, 1999).

Trabalho com uma turma de Educação Infantil, com alunos de 5/6 anos, onde as representações da realidade estão presentes na rotina escolar. São crianças que estão na fase pré-operatória e seus pensamentos são egocêntricos, mas capazes de lidar com idéias diferentes das suas em relação a um determinado tema. A linguagem deles é o resultado de um longo processo de construção que teve início no nascimento, a partir daquilo que elas fazem (ênfase na ação do sujeito) com aquilo que elas trazem (reflexos e capacidade de adaptação, desdobrando-se em suas funções de assimilação e acomodação) na interação com o meio.

Tento buscar descobrir o que está acontecendo, envolvendo a família na busca de compreender o todo para tomar uma atitude de acordo com as experiências do aluno em seu convívio familiar, pois ele pode e geralmente está representando/reproduzindo a violência sofrida. Muitas vezes os próprio responsáveis acreditam que uma pessoa sendo filha de pais, ou outros familiares agressivos está fadada a ser violenta.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

O que é certo? O que é errado?

Ainda no Forum de para Pessoas com Deficiências e Altas Habilidades no RS, na Sala Temática da Educação, a palestrante Vera Lúcia Motiska, falou dos Princípios de acessibilidade: IGUALDADE, LIBERDADE e FRATERNIDADE, através dos quais são constituídos um conjunto de meios para que as pessoas tenham acesso universal.
Também merece destaque, se é que assim podemos dizer a evolução no uso da terminologia adequada:
  • retadardo
  • excepcional
  • pessoas com necessidades especiais
  • pessoas portadoras de deficiência
  • pessoas com deficiência

Novamente existe uma certa exclusão, pois os portadores de altas habilidades, não possuem deficiências e sim habilidades a mais que as pessoas ditas "normais", padronizadas pela sociedade em geral.

O que é certo? O que é errado?

Quem estabelece o certo? Quem estabelece o errado?

Discriminação Racial

Ao participar do Fórum de Política Pública Estadual para Pessoas com Deficiência e Pessoas com Altas Habilidades no RS, Francisco Conti, Promotor de Justiça e Coordenador do Centro de Apoio Operacional dos Direitos Humanos do Ministério Público Estadual no RS, mencionou sobre as leis serem criadas para que as diferenças não existam. Também que penalidades não estão previstas e ainda, que os dirigentes que assumem devem se responsabilizar em cumpri-las. Que os Direitos Humanos servem para defender e/ou proteger os excluídos(índios, pobres, idosos, mulheres, igualdade racvial, PNEEs.
Entre seus relatos e dados apresentados, destacaram-se no que se refere a oferta de Ensino Superior:
  • poucos são os negros acadêmicos, e que em sua própria profissão(Promotor de Justiça), conhece apenas um negro.
  • recentemente, na UFRGS tiveram um acadêmico indígena, que não suportou a discriminação entre colegas, bem como professores e acabou desistindo.

Pôxa! E ainda pensamos não haver discriminação racial em nosso país!

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Concepção de índio

Não existe diferenciação entre índios e povos indígenas, pois são designados como povos nativos, como aqueles que viviam numa área geográfica antes da sua colonização por outro povo, ou que, após a colonização, não se identificam com o povo que os coloniza. Portanto, as contradições entre índios X povos indígenas / generalização X identidade étnica se constituíram ao longo da história por interesses políticos, sociais e econômicos da classe dominante. A religiosidade é outro fator determinante e agravante desse preconceito e discriminação, levando os povos indígenas a serem despojados de suas terras e estigmatizados em função dos seus costumes tradicionais.

Acredito que seja difícil encontrar formas de desfazer pré-conceitos que predominam ao se falar de povos indígenas no Brasil. Penso que nós educadores podemos trazer dados sociais, históricos e culturais, promovendo debates em sala de aula. De certa forma, o que nos falta é quebrar modelos que foram politicamente construídos, retratando a imagem do índio. Para isso, faz-se necessário que a sociedade de um modo geral, busque conhecer a realidade das aldeias e identificar o quanto a comunidade indígena precisa de apoio e de respeito. Podemos iniciar essa busca pelos representantes de povos indígenas que vivem no centro da cidade e/ou em perímetros urbanos, comercializando seus artesanatos.

domingo, 31 de maio de 2009

+ Discriminação...

Partindo da construção do mosaico étnico – racial, encaminhei aos pais dos alunos da minha turma, duas questões, Quem é você? / O que você faz? através de uma pequena entrevista, que foram respondidas em duas etapas, como tema de casa: etnia/religião e profissão/lazer.
Percebi nessa atividade o preconceito e/ou receio dos pais em responder as questões, pois de vinte e três alunos da turma, apenas dezesseis encaminharam as respostas. Como a escola pertence à Congregação das Irmãs de Santa Catarina, alguns destes pais vieram na escola para entregar em minhas mãos a entrevista e ainda preocupados, pois não eram católicos.
Nesse sentido, encontrei dificuldades e tratei o tema de forma superficial, construindo gráficos e painéis com as pesquisas realizadas e os dados levantados com as famílias envolvidas. Esses gráficos e painéis, num primeiro momento foram anexados ao mosaico étnico-racial, e posteriormente, foram divididos e compuseram um livro da turma, o Livro III, “Eu e os Outros”. Essa atividade foi desenvolvida com a finalidade de que os alunos pudessem reconhecer as características que identificam seu grupo social, bem como suas necessidades para poderem melhorar a convivência em grupo.


Ao desenvolver a pesquisa de etnias e outros valores sociais, de acordo com Darcy Ribeiro, em sua obra “O Povo Brasileiro” (2000), onde ele se refere a uma “ninguemdade” mestiça que deu origem ao povo brasileiro, “Brasilíndio” confesso que nunca havia lido sobre isso, mas sempre me preocupei em conhecer a origem da família dos meus alunos, não somente como tema gerador ou motivador, mas com respeito à diversidade de nossos ancestrais, e respeitando nossas origens, contribuições de cada povo na cultura gaúcha. Mas jamais imaginei e/ou me reportei a essas práticas que marcam jeitos de ser e estar que reportam à cultura indígena, africana, açoriana – aos “ninguém” de nosso currículo escolar.

Discriminação ...

A escola é responsável pelo processo de socialização infantil no qual se estabelecem relações com crianças de diferentes núcleos familiares, e pode através da diversidade de contatos, “ser” o primeiro espaço de vivência das tensões raciais. Podemos trabalhar sobre a discriminação racial na sala de aula, entendendo-a como um tema indispensável, onde a intervenção pedagógica poderá contribuir para que ela venha conviver nesta comunidade escolar, compreendendo as diferenças sociais, étnicas e culturais, bem como são produzidas na sociedade. Além disso, podemos considerá-la como complexa ao envolver preconceitos de alunos/professores, devendo ser tratada de forma mais abrangente, podendo ser um espaço de disseminação ou um meio eficaz de prevenção e diminuição do preconceito.
Trabalhar sobre discriminação racial, onde tive de pensar e planejar uma ação educativa com uma abordagem étnico-racial em minha escola, não foi muito difícil. Sempre busquei trabalhar as diferenças sociais e culturais, com respeito e de forma crítica, onde meus alunos pudessem expor e/ou expressar suas opiniões. Mesmo sendo um tema complexo, considero indispensável.
Considero as intervenções pedagógicas indispensáveis nesta fase do desenvolvimento , onde o pensamento da criança pré-operatória é egocêntrico, o que significa que não é capaz de lidar com idéias diferentes das suas em relação a um determinado tema. Essas intervenções acabam contribuindo para que a criança possa conviver na comunidade em que estiver inserida, compreendendo essas diferenças sociais, étnicas e culturais.