Mostrando postagens com marcador Ed étnico-racial. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ed étnico-racial. Mostrar todas as postagens

domingo, 7 de junho de 2009

Crença sobre violência na escola

No que se refere à segunda crença, relacionada a uma concepção inatista, considerando que “o conhecimento é concebido como algo que mergulha suas raízes no sistema nervoso, isto é, na estrutura pré-formada do organismo (Piaget, 1987).”, acredito que em alguns casos a violência possa ser de origem genética, e, mesmo tudo sendo determinado, há possibilidades de mudança, pois a criança está numa fase de desenvolvimento construindo sua autonomia, onde o professor pode intervir para que o sentimento de justiça se desenvolva.

Faz-se necessário que a comunidade escolar desenvolva projetos temáticos dando ênfase para a moralidade e a cultura da paz, através do respeito mútuo e a solidariedade entre as crianças e os adultos. Onde o indivíduo consiga compreender que seus direitos terminam onde ele começa a invadir a liberdade de agir do outro e que o outro faz parte do meio em que ele estiver inserido.
Que todos possam expressar suas idéias, sentimentos e desejos respeitando e valorizando as diferenças.

Violência na escola!

Como professora, trabalhei na rede pública de ensino e que atende comunidades menos favorecidas financeiramente, e, atualmente trabalho numa escola da rede privada, mas acredito em parte nas duas crenças citadas por Jaqueline Picetti, a respeito da crescente onda de violência que há muitos anos vem se instaurando nas escolas.

Penso que alguns alunos tomam determinadas atitudes não porque vivem na “vila” e quem vive nesse tipo de comunidade geralmente é violento, mas por vivenciarem determinadas cenas de violência. Há uma grande discriminação, pois nos grandes centros urbanos também estão presentes atos de covardia e cenas violência. Não acredito que seja uma concepção empirista, “acreditando que há uma pressão das coisas sobre o espírito e considerando a experiência como algo que se impõe por si mesmo, não havendo necessidade da atividade do sujeito (Piaget, 1987).”
Também não é o ambiente que imprime na pessoa o modo de ser e de se comportar, mas as próprias situações violentas a que as crianças estão expostas no meio em que estiverem inseridas, que deixam cicatrizes profundas, podendo gerar ainda mais violência.

Violência na escola!

A escola em que atuo da mesma forma que muitas escolas, também construímos projetos que trabalham e desenvolvem valores morais, com o objetivo de amenizar e/ou sanar as atitudes violentas entre os alunos. Levando em consideração os questionamentos da professora Jaqueline Picetti, perante as situações de violência observadas por nós professores na escola, com certeza não tem o mesmo significado para os alunos, pois muitas vezes a problemática da violência, faz parte de suas vivências, para eles são normais, não dá nada!

Tenho consciência de que o tema da violência na escola pode ser analisado sob diferentes enfoques, pois esse fenômeno envolve uma multicausalidade e uma circularidade de processos (Osório, 1999).

Trabalho com uma turma de Educação Infantil, com alunos de 5/6 anos, onde as representações da realidade estão presentes na rotina escolar. São crianças que estão na fase pré-operatória e seus pensamentos são egocêntricos, mas capazes de lidar com idéias diferentes das suas em relação a um determinado tema. A linguagem deles é o resultado de um longo processo de construção que teve início no nascimento, a partir daquilo que elas fazem (ênfase na ação do sujeito) com aquilo que elas trazem (reflexos e capacidade de adaptação, desdobrando-se em suas funções de assimilação e acomodação) na interação com o meio.

Tento buscar descobrir o que está acontecendo, envolvendo a família na busca de compreender o todo para tomar uma atitude de acordo com as experiências do aluno em seu convívio familiar, pois ele pode e geralmente está representando/reproduzindo a violência sofrida. Muitas vezes os próprio responsáveis acreditam que uma pessoa sendo filha de pais, ou outros familiares agressivos está fadada a ser violenta.